35

Parece mentira que faz 35 anos que pisei pela última vez em Montevidéu. Família toda na estrada para o “veraneio”. Não sei quanto tempo ficamos por lá. Mas o movimento era grande. Lembro da caravana, vários carros, primos, tios e tias. Lembro a Belina do Bigode, o Parque Rodô e o mar. Ou será o rio? Não tenho certeza. Lembro da areia, isso sim. Pinamar, Salinas, Piriápolis…tudo me é familiar.
Conta a Dª Iná que quando toquei a areia comentei: “Olha mãe, nem tem bosta de ovelha!”. Disse isso porque a areia que conhecia era lá da São Luis, onde brincava quando criança, no meio das ovelhas é claro.
Graças a Deus, hoje, o que me traz a Montevidéu é a música. No começo do ano passado gravamos na minha casa, em Santa Maria, o cd do Zelito, o Vitamina Z. Era um desafio para nós. Eu estava engatinhando com os programas de gravação e o próprio Zé, era totalmente verde no que se tratava de “ser gravado”. Fizemos tudo com apenas um microfone, emprestado na época. Botamos fé no projeto. Acreditamos mesmo. E eis que, um ano e meio depois, pinta o convite pro lançamento do cd do Daniel Drexler. Só se colhe o que se planta!!!

Abre parênteses –
O Zé adicionou o Daniel no “myspace”. O cara aceitou, escutou e chapou no trabalho. Veio a Porto para uma palestra/show, e se conheceram. Agora a casa caiu. O cara já nos botou no compromisso de pintar no lançamento em Buenos Ayres no começo de outubro, convidou para o casamento no fim do ano e estará em POA neste final de semana. Deixei a porteira aberta para ele dar uma canja no nosso show da Moenda, já que está vindo para tocar com o Ramil (que fez o show na Moenda ano passado). Ele achou boa idéia. Estou cauteloso. Na torcida, mas pronto pra tudo. De repente se todos os leitores do Blog fizerem uma corrente. Concentrarem aquela energia boa mesmo. Quem sabe não rola a canja do Drexler com a Comparsa Elétrica em Santo Antônio, terra do Zé. Seria um sonho. Mas dexacontecê!!!
– Fecha parênteses –

Em Montevidéu fomos recebidos como verdadeiros artistas. A generosidade dos Uruguaios não me espantou. Eu já sabia! Só conheço uruguaio gente buena. O carinho, a atenção, o cuidado para que não faltasse nada, para que estivéssemos bem, bem acomodados e alimentados, a preocupação com que não viajássemos com chuva. Fez um dia horroroso domingo. Tormenta grande. Não passa nada. Esse povo é encantador.
“Uruguay, um país com nome de rio”. Essa frase não é minha. É do irmão do Daniel.

– abre parenteses de novo-
Tivemos campo no Uruguai lá pelos anos 80. Passando Salto, na costa do miriñay. A Estância “La Torcaza”. O seu Monteiro era o capataz. O Marcos era o peão- faz-tudo, que tinha uma égua mimosa que chamava carinhosamente de Marijuana, e o Seu Matos que era o caseiro, senhor já dos seus cento e poucos anos de idade, mas que mantinha encontros amorosos a luz da lua com a vizinha. Não tinha luz elétrica na estância. E criávamos ovelhas. Fiz alguma empreitada com o Tukaninho. Inseminamos “setecieeeeentas miiiiiiil cabeeeeeeeça de ovêia”. Nesse período aprimorei minhas habilidades campeiras como laçar, pealar e ginetear, domar e fazer cordas. Aprendi a mentir bastante também. E, naquela época, começou minha grande paixão pela direção. Pilotar estrada afora. Mesmo sendo menor de idade, eu era o motorista oficial daquela saveirinho a álcool. E as estradas Uruguaias sempre foram um tapete. Sinto o cheiro daquela camioneta.
Ah! Uma vez fomos num furgão que o pai tinha, que aventura, só gurizada. O Ale, Niko, Capincho, Mauro, não me lembro se o Marcio e o Duca estavam juntos!?! Furamos 3 ou 4 pneus naquela cruzada e escutávamos incessantemente o First Circle do Pat Metheny. Báh…esse é outro cheiro que não esqueço…
– e fecha parênteses de novo –

Volto a achar que o blog ta com cara de “meu querido diário”. Mas tem justificativa.
Tô longe da minha família. Saí de Uruguaiana para a Guyanuba, há 15 dias, e ainda não consegui voltar pra casa. Fomos muito bem no festival em Sapucaia e se quadrou essa ida a Montevidéu. O Gui Ceron já arrumou o Rincão Nativo para tocarmos em Pelotas (fora de pulha), já contei pra vocês que foi um Sucesso!?! Quero voltar lá. E nesse momento estou indo de PEL para POA gravar um programa da TVCom . O “Camarote”, apresentado pela Katia Summan. São três horas off-line no bus, para escrever. Tá explicado!?!?

Amanhã já começam os ensaios para a Moenda, quinta estaremos no Estância de São Pedro, e a partir de sexta nossa casa é em Santo Antônio da Patrulha. Com ou sem Drexler.
Canto uma música linda lá, do Piero e do Juca. Sem contar o show da Comparsa, que é um grande orgulho para todos nós. Sexta aquele camarim, onde pisaram João Bosco, Ivan Lins, Ed Motta e todos os outros, é só nosso!!! Aibibibiuhuhuhu…
Maravilha gente. Estou dividido entre a saudade e as obrigações, os prazeres e a contenção de despesas. Mas não posso me penitenciar por causa disso, parar de sorrir, deixar de levar alegria por onde passo, nunca. Aí não serei mais eu. Obrigado meu Deus, por tudo!
Ah, um recado pro Lukeko:
“- olha pra frenrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!”
Tchau galera. Vô nessa que tamo chegando na capital.
Um beijo carinhoso a todos, continuem lendo e comentando. Valeu!

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2 respostas em “35

  1. Daí camarada…. que legal hein!? só coisa boa mesmo!!
    Tu Mereces Gajo (ou gaucho, como queiras, hihi), ó, pá!!
    Sucesso SEMPRE!!!
    Bjo no coração!!

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