Pássaro Perdido

(texto publicado no jornal ZERO HORA de 06 de outubro de 2012)

Há quarenta anos nascia em Uruguaiana a Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul. Depois dela, o Sul do Brasil lançou, pelo menos, outros cinquenta Festivais que cantaram a Música Gaúcha. Considerada a Mãe dos Festivais, a Califórnia da Canção também é Patrimônio Cultural do Estado. Durante a década de setenta foi realizada no Cine Pampa, bem no Centro da Cidade agregando também a Feira do Livro e Artesanatos. A partir de 1983, transferiu-se para o Parque Agrícola e Pastoril da Associação Rural de Uruguaiana. Ou simplesmente “Pastoril” pra gurizada que, como eu, dava um gás nos estudos pra passar por média e assim estar liberado já na primeira semana de dezembro pra curtir a Califa.
A Califórnia foi o nosso Woodstok Campeiro, nosso veraneio e carnaval, num tempo em que a AIDS e o CRACK ainda não habitavam esse pampa. Na época em que a Ipiranga, que teve com berço as margens do Rio Uruguai, bancava o maior festival folclórico do Brasil. Enquanto Luciano do Valle narrava uma final de Califórnia ao vivo para todo Brasil, parece que esquecemos de formar um Produtor Cultural. Nos anos noventa o Festival migrou para o Ginásio Municipal. Da virada do Século pra cá, também visitou Estádios, Parques e Clubes, voltou ao Ginásio, até que, em Dezembro de 2009, num domingo ao meio-dia, deu-se a 36ª e última edição da Mãe dos Festivais. Já são três anos sem Califórnia e a Pastoril está anunciando o Show de uma dessas duplas que pagam pra tocar na radio e na TV. 
Depois do sucesso do CARNAVAL FORA DE ÉPOCA o Velho Oeste apresenta o SÃO JOÃO FORA DE ÉPOCA.  O que mais se vê é a gurizada de camisa xadrez, calça rasgada e ouvindo música caipira!

Volta Califa !!! Volta Pastoril !!!
Queremos a árvore, o fogo de chão, o artesanato, as artes plásticas, o livro, a trova, a culinária campeira e o sagrado jogo do truco para nossos filhos, sobrinhos e demais parentes. 
Sim meu querido Rio Grande, é um pedido de socorro.
A Mãe está na UTI precisando do nosso sangue!

PIRISCA GRECCO
Músico de Uruguaiana
vencedor de três Calhandras de Ouro

Muchas Gracias Érlon Péricles, que me indicou ao jornalista Francisco Dalcol (ZH).
Obrigado Biratuxo, Nandico, Cajuzinho e demais Membros da Akadimia pela monitoração.
O Blógue está com as porteiras abertas.

Adelante!
GRECCO.

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4 respostas em “Pássaro Perdido

  1. Lutar por aquilo que é nosso!
    Conscidência ou não, acabo de assistir um pequeno material que fala sobre micro-revoluções em nossas comunidades, gerando grandes revoluções globais. Símbolo maior de Uruguaiana é a sua ponte, então que todos que acreditam na importância da Califa sejam ponte para canalizar e conectar energias em favor de um novo momento na era dos festivais…
    A luta é essa!
    Parabéns, Pirisca! Conte comigo…

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