Com a palavra: o Presidente

“É sabido que os músicos e compositores que participaram da 37º Califórnia da Canção Nativa não receberam o dinheiro referente à subvenção das finalistas e às premiações, conforme previsto no regulamento do festival. Os artistas bancaram de seus próprios bolsos a hospedagem, a alimentação e a viagem até a nossa querida e longínqua Uruguaiana, cidade-mãe da Califórnia – festival precursor, que soma 42 anos de história e é considerado Patrimônio Cultural do Estado do Rio Grande do Sul.
Pois bueno, meu nome é Fernando Saldanha, sou gaúcho uruguaianense, artista brasileiro. Falo aqui como cidadão e letrista de uma das 12 finalistas. A composição da qual faço parte foi agraciada com o prêmio máximo – a Calhandra, troféu tão sonhado pelos músicos rio-grandenses – motivo de grande orgulho e honra. Um sonho realizado.
Por outro lado, sinto-me multiplamente lesado:
Por não receber o cachê que me corresponde!
Por ver manchada a Califórnia, um nome que me criei admirando, um acervo que através dos tempos têm formado tantos músicos como eu!
E, não menos, por ter de voltar tanta energia, que deveria estar canalizada para arte, para criticar o festival que tanto amo, visto que, como qualquer trabalhador, preciso de meus honorários para subsistir!
É notório que o artista é pouco valorizado no Brasil. É fato que a maior riqueza que temos é a arte, sobretudo a música. São mais de 40 músicos e compositores prejudicados com esse impasse. E dizer que o discurso geral dos organizadores era resgatar e credibilidade do evento. Transtorno desnecessário. Não fosse por necessidade financeira, eu estaria fazendo um poema agora, uma letra… E não este texto pedindo socorro.
Por tantos imperativos, como, por exemplo, contas a pagar, temos de fazer um papel que não queremos. Um papel que não nos cabe: cobrar publicamente da Califórnia. Nós, que peleamos pela cultura precisaríamos estar passando por essa dificuldade? Será, que, nestas quatro décadas de festivais nativistas, não deu pra aprender que quem primeiro deve receber são aqueles que fazem a festa, que dão o show? Pois os cantores, compositores, instrumentistas são quase sempre os últimos a ganharem… Isso se ganharem… Segundo reportagem do Jornal do Almoço, o evento custou 300 mil reais e faltam 42 mil para saldar a dívida com os músicos. Mais uma vez ficamos nos final da lista de pagamentos. Os impostos não esperam. Tampouco as taxas de luz, água, telefone… Parece que só os artistas sabem esperar.
Este dinheiro anunciado no regulamento, que está não sei onde, já poderia ser um violão novo, um disco recém-gravado, um livro no prelo… Poderia, inclusive, ser gasto no próprio comércio de Uruguaiana se tudo fosse acertado assim que se saísse do palco. Perde o artista e perde a arte. Perde o estado e perde a cidade. O pior é que ninguém aponta uma perspectiva. Há um clima de impessoalidade no ar. A quem devemos apelar? Ficam somente perguntas sem resposta.

Gracias pela atenção.
Fernando Saldanha”


http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/jornal-do-almoco/videos/t/uruguaiana/v/musicos-que-venceram-a-california-da-cancao-nativa-seguem-sem-receber-a-premiacao/3143092/

NANDICO é ganhador da Califórnia e Presidente da Akadimia
Abraço.
PIRIS