Eu sou Barão

Santa Maria, 25 de janeiro de 2015.

Minha história nos Festivais Nativistas começou no século passado…
Era inverno de 1999. Minha esposa estava grávida e, na ocasião, eu produzia e apresentava na Rádio Atlântida o programa Cotonete (“pra limpar os seus ouvidos”), de quebra, tocava música popular brasileira em alguns botecos do Velho Oeste, quando veio a notícia que havíamos classificado uma canção para a 19ª Coxilha Nativista.

Comprei bota, bombacha e faca nova pra embarcar de carona com o amigo Flavio Zum até Cruz Alta/RS onde defenderíamos “Sumo de Mim”. Esta mesma canção credenciou-se para a Califórnia da Canção, que ocorrera no fim daquele ano em minha cidade natal.

Vira o ano, muda o século e, em março de 2000, outra oportunidade de cantar num Festival. Agora a canção “Mão Ligeira” (de Tulio Urach, Juca Moraes e Miguel Azambuja) no Canto da Lagoa em Encantado/RS. Lá vieram os primeiros prêmios e a convicção de seguir navegando pelo mar da Música Regional. Na ocasião o amigo Ângelo Franco procurava alguém para “rachar um Ap” no coração do Rio Grande.

Topei!

Minha Filha Antônia acabara de nascer e eu sentia a necessidade de fazer algo mais pela carreira, pela minha vida e, agora, pela vida da minha Família. Então passava os finais de semana em Uruguaiana com as gurias e, durante a semana, me mandava pra Santa Maria. Bater na porta dos estúdios, colocar voz em jingles, gravar para Triagem e tentear alguns botecos. Matriculei-me numa aula de contrabaixo na MUSIARTES. Foi importante e abriu muitas portas pois, fui o baixista no lançamento do primeiro CD do Érlon Péricles. Além do mais toquei com Ana Negrelo, muitos Festivais começaram a pintar e tive a grata oportunidade de fazer algumas Rodas de Samba com o amigo Pedro Ribas.

Amigo esse que me arrastou pra Quadra da Escola, me apresentou à Família Messias e ao Bairro Itararé. Provei e gostei. Hoje com muito orgulho sinto-me parte dessa Comunidade que, mais um ano, nos oportuniza compor e cantar seu Samba na Avenida.

Na foto acima: Yo, Pedro Ribas e sua filha Bibiana (Mascote da Harmonia)
contrapondo com as boleadeiras e cavalos na parede.


Segue a letra do Samba da Barão de Itararé para o Carnaval 2015 em Santa Maria/RS:

A Barão de Itararé canta e encanta a avenida com a energia dos Orixás na Religiosidade Afro-brasileira

“O O O

Vem no batuque do tambor, vem celebrar
Ago, Ketu-Nagô, Yorubá
povo guerreiro, gente de fé
eu sou Barão, eu sou senzala eu sou Axé.

No Reino de Olorum
o barro, origem da vida
do Sopro Divino, um novo destino
que vem de lá e desembarca na avenida

Africa, berço da humanidade,
escrava da desigualdade
encontra nos seu rituais
Cura pra dores e males
amor e saudade
dos seus ancestrais

Chora o povo de Aiyê
que a força de Orum vai libertar
verdade e justiça há de ser
alento para quem acreditar

Negro…
Indio, mulato, Caboclo, tá loco pra jogar
Preto…
Branco, Amarelo, aquarela que Orum veio pintar
Resiste um velho Quilombo
Sincretizado na Fé.
no canto da Barão de Itararé

O O O”

(AUTORES: Mestre Zinho, Pedro Ribas, Pirisca, Edinho e Leandro Sassi)

Hoje está chovendo e Santa Maria chora os 2 anos da tragédia da Boate Kiss.
Meus sentimentos, meu respeito e minha oração a esse povo querido e acolhedor.
Valeu Boca do Monte ! Um dia eu volto !!

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